segunda-feira, 26 de setembro de 2011

É preciso estimular a produção artística desde cedo

Estimular a produção artística proporciona as condições para identificar marcas pessoais na hora de criar e de apreciar obras de arte

Desde muito cedo, o mundo é um campo de investigação para as crianças. Tudo vira objeto de investigação. Mole, duro, fino, grosso, macio, áspero, pequeno, grande. Os olhos e as mãos se movem rapidamente - e narizes, orelhas, cabelos, óculos, brincos, chaves e chocalhos estão entre os "alvos" prediletos. E tudo passa pela boca. Nessa fase de descoberta, cabe aos adultos sinalizar o que pode ser experimentado. Na Arte, a experimentação é fundamental e esse espírito deve ser estimulado. Sabemos que os pequenos não fazem Arte porque não têm a intenção de fazê-lo, mas o educador bem preparado pode realizar um bom trabalho. É freqüente na Educação Infantil focar os procedimentos. Ao potencializar as possibilidades de meios, suportes e ferramentas, fica mais fácil identificar marcas pessoais.

A tônica entre 1 e 2 anos é o movimento. Nessa fase, valem diversos suportes: superfícies lisas e ásperas, grandes e médias, bidimensionais e tridimensionais etc. A criançada pode pintar sobre paredes, azulejos, tecidos, plásticos... O mesmo vale para a posição: sentado, em pé, deitado, com o papel na vertical (na parede) ou na horizontal (na mesa ou na chão). Apontar as diferentes maneiras de ocupar o espaço pode contribuir para que todos se lancem em novas pesquisas.

Entre os 2 e 3 anos, os pequenos apreciam cada vez mais coordenar o prazer motor com o prazer visual, ou seja, ver o resultado de seus gestos e movimentos. Em alguns casos, eles anunciam o que vão desenhar: um super-herói, um bicho, a mãe. Isso não significa que cumprirão essa intenção. Nessa idade, o interesse está no como fazer, não no que fazer. As cores têm muitos significados e os suportes podem sugerir formas. O desenho vai se desemaranhando e a pintura passa a apresentar massas de cor separadas. O momento é de favorecer os avanços tanto em direção à figuração como à não-figuração.

Enquanto as crianças exploram, os educadores devem socializar as descobertas para que as trocas ocorram. Quando o adulto comenta o que os pequenos fazem, legitima e valoriza as conquistas, além de comunicar aos outros que eles também podem experimentar possibilidades. Os procedimentos também precisam ser considerados: ensinar desde cedo a usar a colher para comer e o pincel para pintar. Da mesma forma, a sopa serve para comer e a tinta para pintar. Nessa fase, não é bom apresentar a escova de dentes como uma ferramenta de pintura, pois a criança primeiro precisa conhecê-la em sua função original.

As propostas, na maioria das vezes, devem ser individuais, pois as crianças não trabalham em grupo, mas lado a lado. Como o processo é mais importante que o produto, está totalmente liberado fazer e desmanchar. Nem tudo precisa ser exposto, mas algumas produções podem ser colocadas em murais baixos, para revelar a importância de apreciar. As próprias crianças nos mostram como o olhar faz sentido. Hoje, a quantidade de estímulos visuais é muito grande e um modo de ajudá-las a conhecer e selecionar o que lhes interessa é criar situações de observação e conversa partindo de imagens, como reproduções de obras, fotos, vídeos, postais, slides, transparências, desenhos e pinturas infantis. Observar imagens de artistas em seus ateliês, na relação com diferentes materiais, ajuda a ampliar as referências como apreciadoras de Arte e nas produções próprias.

Fonte: Revista Nova Escola


segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Psicomotricidade e o processo de alfabetização

Correr, pular, arremessar, chutar, rolar, como as peripécias infantis podem contribuir para o processo de alfabetização?
Desde o nascimento, as crianças estão ativamente envolvidas na experimentação das suas capacidades motoras. Aos poucos, o movimento se transforma em expressão de desejo, em seguida, em linguagem. A partir daí, a criança conseguirá reproduzir situações reais, fazendo imitações nas brincadeiras de faz-de-conta. Isso garantirá a aprendizagem de conceitos formais e auxiliará em tarefas do cotidiano como dar um recado, elaborar textos, contar uma história.
A Psicomotricidade, base das atividades da Boobambu – Academia da Criança, é um instrumento riquíssimo para assegurar o desenvolvimento motor, cognitivo e social da criança. Ajuda a desenvolver a inteligência emocional, contribuindo, assim, de maneira expressiva para o desenvolvimento pleno. Por meio de brincadeiras, a criança se diverte, se conscientiza de seu corpo, cria, interpreta e se relaciona com o mundo em que vive.
Para aprender os ensinamentos formais, o corpo tem que estar organizado. Durante a aprendizagem formal, a criança terá que recorrer às experiências anteriores que são muitas vezes psicomotoras. Os conceitos básicos da aprendizagem (dentro/fora, em cima/embaixo, escuro/claro, cheio/vazio, grande/pequeno, direita/esquerda, entre outros) devem ser experimentados primeiro com o corpo para que depois possam ser representados no papel.
As habilidades psicomotoras são essenciais ao ótimo desempenho no processo de alfabetização. Uma criança que consegue organizar seu corpo no tempo e no espaço conseguirá sentar-se em uma cadeira, concentrar-se, segurar um lápis com firmeza e reproduzir no papel o que elaborou em pensamento.
A aprendizagem da leitura e da escrita exige boa coordenação óculo-manual para acompanhar as linhas de uma página com os olhos ou os dedos, boa percepção auditiva para perceber os diferentes sons das letras e boa percepção visual para reconhecer as diferenças dos pares b/d, q/d, p/q. Orientar-se adequadamente no espaço e no tempo contribui para o ajuste da escrita às dimensões do papel.
É preciso também ter domínio sobre os grandes músculos para desenvolver a coordenação motora fina, imprescindível para escrita. Portanto, é essencial que a criança corra, pule, arremesse, chute, role. Enfim, tenha várias oportunidades para desenvolver suas habilidades psicomotoras.

Lorena Galvão Werkhäuser, profissional de Educação Física, supervisora técnica da Boobambu – Academia da Criança

Referências bibliográficas:
Texto Psicomotricidade; Alexssandra Godoy, Ronaldo de Oliveira Pierre, Fabiana Lopes Monteiro, Eliana Stodolnik dos Santos, Adriana Madalena dos Santos e Andréia Costa; 1996.
Texto A psicomotricidade; Amanda Cabral Goretti