segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Psicomotricidade e o processo de alfabetização

Correr, pular, arremessar, chutar, rolar, como as peripécias infantis podem contribuir para o processo de alfabetização?
Desde o nascimento, as crianças estão ativamente envolvidas na experimentação das suas capacidades motoras. Aos poucos, o movimento se transforma em expressão de desejo, em seguida, em linguagem. A partir daí, a criança conseguirá reproduzir situações reais, fazendo imitações nas brincadeiras de faz-de-conta. Isso garantirá a aprendizagem de conceitos formais e auxiliará em tarefas do cotidiano como dar um recado, elaborar textos, contar uma história.
A Psicomotricidade, base das atividades da Boobambu – Academia da Criança, é um instrumento riquíssimo para assegurar o desenvolvimento motor, cognitivo e social da criança. Ajuda a desenvolver a inteligência emocional, contribuindo, assim, de maneira expressiva para o desenvolvimento pleno. Por meio de brincadeiras, a criança se diverte, se conscientiza de seu corpo, cria, interpreta e se relaciona com o mundo em que vive.
Para aprender os ensinamentos formais, o corpo tem que estar organizado. Durante a aprendizagem formal, a criança terá que recorrer às experiências anteriores que são muitas vezes psicomotoras. Os conceitos básicos da aprendizagem (dentro/fora, em cima/embaixo, escuro/claro, cheio/vazio, grande/pequeno, direita/esquerda, entre outros) devem ser experimentados primeiro com o corpo para que depois possam ser representados no papel.
As habilidades psicomotoras são essenciais ao ótimo desempenho no processo de alfabetização. Uma criança que consegue organizar seu corpo no tempo e no espaço conseguirá sentar-se em uma cadeira, concentrar-se, segurar um lápis com firmeza e reproduzir no papel o que elaborou em pensamento.
A aprendizagem da leitura e da escrita exige boa coordenação óculo-manual para acompanhar as linhas de uma página com os olhos ou os dedos, boa percepção auditiva para perceber os diferentes sons das letras e boa percepção visual para reconhecer as diferenças dos pares b/d, q/d, p/q. Orientar-se adequadamente no espaço e no tempo contribui para o ajuste da escrita às dimensões do papel.
É preciso também ter domínio sobre os grandes músculos para desenvolver a coordenação motora fina, imprescindível para escrita. Portanto, é essencial que a criança corra, pule, arremesse, chute, role. Enfim, tenha várias oportunidades para desenvolver suas habilidades psicomotoras.

Lorena Galvão Werkhäuser, profissional de Educação Física, supervisora técnica da Boobambu – Academia da Criança

Referências bibliográficas:
Texto Psicomotricidade; Alexssandra Godoy, Ronaldo de Oliveira Pierre, Fabiana Lopes Monteiro, Eliana Stodolnik dos Santos, Adriana Madalena dos Santos e Andréia Costa; 1996.
Texto A psicomotricidade; Amanda Cabral Goretti

Nenhum comentário:

Postar um comentário